Batia à porta como se fosse a última coisa a se fazer no mundo. Batidas compassadas, de métrica perfeita. A mão tocava a madeira com exatidão. O sol não parecia demonstrar pena, firmando seu foco sobre seus cabelos curtos e ruivos, deflagrando alguns fios loiros perdidos naquele fogo todo. A pele alva com pequenas sardas, já em tons de vermelho, pedia: "por favor, já chega! Ela não vem...". Mas Luca parecia decidido e ritmado em suas batidas.
Lá de dentro, nenhum ruído. Mas ela estava lá. Sim, estava e parecia não se importar. Os fones quase perfuravam seus tímpanos, o volume no talo. Ela quase podia sentir a língua de Jagger, dançar por seus ouvidos, enquanto cantava Jumping Jack Flash. Não, ela não se importava. Acabara de fumar seu penúltimo baseado e dançava como se fosse a última coisa a se fazer no mundo. Seu quarto ficava no sótão, de lá ela via Luca sofrendo, sentado, encostado de lado na porta, batendo... A imagem fazia Clara rir baixinho.
Clara sempre foi calma e quente.
2 comentários:
Bonito! :D
Interessante
=D
Beijinho
http://omelhordavidaeissoeocio.blogspot.com/
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