Todo dia era a mesma coisa... Camota abria o olho e, do alto dos seus cinco anos, corria até a janela do quarto e gritava: "Lucaaaaaaaaaaaaa!!". Pronto, essa era a senha para o futebol. Lá do outro lado da rua, Dona Judith já ligava o liquidificador e com a vitamina pronta esperava Luca na beira da escada. Como num ataque ninja, conseguia imobilizar o filho e fazê-lo engolir o suposto café da manhã. Fazia tudo isso sorrindo, sem dizer uma palavra. Os olhos de Judith sempre falaram mais alto.
Camota era o melhor amigo de Luca. Amizade criada por osmose. Uma diferença de apenas cinco meses dividia o que o mundo inteiro unia. Esse mundo tinha limites bem desenhados: a rua e a escola. Para eles, o mundo era deles e não eles do mundo.
Loirinho dos olhos de mel e de temperamento mais que agridoce. Esse era Camota, ou melhor: Afrânio Arnaldo Siqueira de Britto. Desde bem pequeno, ele sentia o peso que seu nome trazia, sabia que não tinha apenas um nome, mas sim, uma marca. Seus pais eram médicos e seu avô um renomado político de carreira, até então, ilibada.
O apelido Camota saiu da cabeça inventiva de Luca, e eles (até hoje) não lembram o porquê...
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